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Rastreabilidade - A Prática no Brasil:
Perguntas e Respostas Parte III
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1-
A
rastreabilidade é apenas uma obrigação imposta ao pecuarista? Quais são os
benefícios para a Pecuária e para o Consumidor Brasileiro?
Certamente é um benefício para
todos. Para o pecuarista que poderá ter uma melhor gestão e controle de seu
rebanho. Para o importador que terácerteza de estar adquirindo um produto de
qualidade conhecida e garantida.E, também, sem esquecer o consumidor brasileiro,
que consome de 80 a 90% da carne produzida no Brasil, tanto o pecuarista estará
vendendo um bom produto, como o consumidor terá certeza de consumir carne de
qualidade garantida e dentro dos padrões de total segurança alimentar.
2-
Sabe-se que o
SISBOV exige atualmente que um animal esteja incluído no BND por um período
mínimo de 40 (quarenta) dias, antes do abate. Isso é rastreabilidade?
Certamente, isso não é rastreabilidade. Mas com certeza, a partir dessa exigência do MAPA, podemos assegurar, iniciou-se de fato, a rastreabilidade no Brasil. Como todos sabem, e por razões de mercado, o Brasil iniciou a rastreabilidade, do “fim para o começo”.E é fácil explicar: se fossemos iniciar a rastreabilidade a partir do nascimento do bezerro, levaríamos de 2 a 3 anos para completarmos o ciclo de rastreabilidade integral.Por isso é que se pratica hoje, a rastreabilidade do “fim para o começo”, iniciando-se do animal adulto, prestes a ir aos frigoríficos. Nos primeiros tempos, havia exigência de 15 dias de permanência no Banco de Dados do Sisbov.Em julho, ampliou-se o prazo para 40 dias, e em breve esse prazo passará a 90 dias. E assim sucessivamente, até retroagirmos e chegarmos aos bezerros recém nascidos.E cabe acrescentar, que a ABC já apresentou proposta ao Comitê do Sisbov visando estabelecer um cronograma, de interesse comum a todos, para chegarmos a Dez/2005 com o rebanho destinado ao abate, todo ele rastreado, cumprindo o que determinam as instruções do MAPA.Acompanhe pelo nosso jornal, pois, voltaremos ao assunto e à discussão do cronograma em nosso próximo número.
3- O SISBOV
foi instituído em 2002, através da Instrução Normativa nº 01 de 10 de janeiro de
2002 e regulamentado em 26 de fevereiro pela Instrução Normativa nº 21, e em 31
de julho de 2002 pela Instrução Normativa nº 47.Instrução é lei? Pode ser
alterada?
Claro que não, mas tem força de
lei. Entretanto, é certo que alterações poderão ser introduzidas e promulgadas
outras portarias.A ABC tem apresentado várias propostas nesse sentido, mas
também é certo que o Comitê do Sisbov, na prática, tem recebido poucas propostas
de alteração.
4-
Certificadoras podem vender brincos? E outros produtos afins?
Certamente que não! A razão
básica da criação de “Certificadoras”é a total independência de atuação.
Independência em relação a vendedores de produtos ou insumos, independência e
total desvinculação com frigoríficos, o mesmo acontecendo com os pecuaristas. É
claro que neste início de processo, surjam algumas dificuldades na interpretação
do papel das Certificadoras. Mas e com a apoio da ACERTA – Associação de
Empresas de Rastreabilidade e Certificação Agropecuária, essa independência será
plena e completa.Nas
condições gerais do Guia 65 da ISO, para operadoras de Sistema de Certificação,
é exigida a imparcialidade e credibilidade destas entidades, sendo vedado o
fornecimento de qualquer produto que faça parte do sistema à ser
certificado.Portanto ao indicar, aconselhar ou fornecer produtos ou serviços que
possam comprometer a confidencialidade, objetividade e imparcialidade do
processo de certificação, a Certificadora está em desacordo com as normas
internacionais de Certificação, podendo ser punida por isto
5- Quem paga o custo ou vistorias técnicas da
Certificadora? O produtor ou a Certificadora?
Quando um produtor cadastra-se numa certificadora, de sua livre escolha para rastrear seus animais, deve assinar um contrato de adesão, no qual ficam estipuladas as clausulas de pagamento dos custos de certificação.A combinação dos valores, quem paga, e o que se deve pagar, deve ser feita aí, neste momento, para evitar-se discussões posteriores. O que temos hoje é uma variação de procedimentos, que varia de uma certificadora para outra.Entretanto, o mais comum é que as auditorias sejam pagas pelo pecuarista.
6-
Qual o custo médio dos brincos? E o prazo de entrega? Poderiam V.Sa. nos indicar
os principais fornecedores?
Existem
diversos modelos e tamanhos de brincos diferentes, que consequentemente tem uma
variação de preço, outro fator influenciador e a localidade, pois o preço dos
brincos são modificados devido a impostos estaduais.Existem brincos que podem
ser colocados quando os animais estão em fase de terminação, estes custam em
média R$0,55, pois possuem uma baixa durabilidade, e existem brincos mais
resistentes que podem variar entre R$ 0,75 a R$ 1,20, usados para animais recém
nascidos ou com maior durabilidade.O prazo de entrega também depende de muita
negociação, quantidade, bem como, também de fabricante para fabricante. Este
prazo pode, hoje, variar entre 05 dias a 15 dias úteis.
7.
Além do custo
dos brincos e o valor pago às certificadoras, soube que deverei pagar a visita
técnica, de conformidade! É certo? Quanto devo pagar?
No mercado de certificação existem 2 principais modelos de negócios, em um a
certificadora cobra um valor considerado para a certificação, mas não cobra a
visita pois o técnico que irá visitar a propriedade será remunerado conforme o
número de animais certificados. Outro modelo de negócio que é adotado pela
grande parte das certificadoras é o seguinte: cobra-se um valor inferior
comparado ao primeiro modelo acima citado, mas a visita técnica é paga pelo
pecuarista.Um valor referência no mercado para esta visita é de 1 salário mínimo
(diária) que pode ser negociado diretamente com técnico que realizará a
inspeção, também como parte dessa remuneração existe o valor a ser pago pelo Km
rodado, que pode variar entre 0,50 a 0,60 por Km rodado.
8.
Qual o valor e
forma de pagamento às Certificadoras?
O valor cobrado pelas certificadoras variam de R$2,00 a R$4,00. Quanto a forma de pagamento, isto varia de acordo com a política comercial de cada uma delas, por exemplo, existem certicadoras que cobram logo no início do processo para cadastrar os animais em sua base de dados e existem certificadoras que só cobrarão após a saída dos animais da quarentena.
9.
Os associados
da ABC gozam de algum benefício?
A ABC firmou acordo com a
certificadora Tecnagro Planejamento S/C Ltda, credenciada pelo MAPA em 10 de
abril, conforme portaria nº 33, da Secretaria de Defesa Agropecuária, no qual os
associados da ABC poderão usufruir de desconto em serviços de rastreabilidade
conforme tabela abaixo:
|
Especificação |
Sócio ABC (-20%) |
Pecuaristas em Geral |
Período |
|
Taxa de admissão |
Isento |
R$ 100,00 |
- |
|
Taxa de manutenção |
Isento |
R$ 100,00 |
Anual |
|
Inclusão por animal |
R$ 1,60 |
R$ 2,00 |
- |
10. Muitos pecuarista admitem que o valor pago pela rastreabilidade é muito alto. Isto é fato?
No início do processo em 2002,
surgiram inúmeros fatos e informações de que esse custo seria elevado.
Discutia-se a implantação de “chips”, “bolus” e outras formas de identificação
de custo elevado.Posteriormente, com o andamento do processo, massificação e
definição de métodos, esses custos foram sendo reduzidos.A adoção de brincos e
outras práticas simples, fizeram o custo despencar a valores extremamente
acessíveis nos dias atuais.
11.
Poderia a ABC
apresentar um cálculo de custo?
Certamente, hoje não é difícil
de se ter. Se não, vejamos:
11.1- Custo de Identificação, Rastreamento e Certificação (média entre
as certificadoras):
Valores por animal (média estimada)
a - Preço dos brincos = R$ 1,00
b - Custo da Certificação = R$ 2,00
c - Custo da visita técnica+ despesas Km, etc
(paga pelo pecuarista diretamente
ao
profissional) = R$ 0,50
d- Despesas na Fazenda com
colocação de brincos etc. = R$ 0,50
TOTAL = R$ 4,00/animal
11.2– Valor do animal abatido no frigorífico
a - Valor arroba
(outubro, em São Paulo) = R$ 60,00 c/certificação
R$
59,00 s/certificação
b- Peso Valor médio de
animal abatido = 17 a 18 @ x 60,00 = R$ 1.020,00 a R$
1.080,00
c. – Percentual do custo da rastreabilidade por animal = 0,4% a 0,43%.
12. Em complemento à pergunta anterior, poderiam me
informar se eu vou ter alguma vantagem com a Rastreabilidade?
Usando o mesmo cálculo da resposta anterior, fica claro que um animal rastreado
e com certificação vale no frigorífico, R$ 1,00/ por arroba a mais e portanto
R$ 18,00/por animal. Ora se a despesa com a rastreabilidade foi de R$
4,00/animal, haverá uma vantagem ou um ganho de R$ 14,00/animal.
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